St. Paul`s Conference aborda o trabalho das Nações Unidas

“Portugal tem muito mais imigrantes do que refugiados”

O St. Paul`s School recebeu Joana Lopes, técnica de sensibilização e angariação de fundos da Portugal com ACNUR, o parceiro nacional da Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

A visita da Portugal com ACNUR teve dois momentos, um dirigido aos alunos e um outro aberto à comunidade em geral. As sessões constituíram momentos de sensibilização dos públicos, numa apresentação e discurso adaptado, para o trabalho desenvolvido pela ACNUR no apoio a “pessoas forçadas a fugir” por verem os seus direitos serem violados em situação de perseguição ou guerra.

Joana Lopes iniciou por referir-se ao panorama nacional em que “Portugal tem muito mais imigrantes do que refugiados”. A ACNUR não trabalha diretamente com imigrantes, mas serve como entidade de encaminhamento, ajudando no processo de informação e integração. O refugiado é todo aquele que “que é forçado a fugir por não ver salvaguardada as suas necessidades básicas e direitos humanos”.

Os países que mais acolhem refugiados são aqueles que apresentam maior proximidade geográfica ou a existência de acordo político entre os mesmos. Portugal não faz parte da lista de países de maior acolhimento, mas tem, atualmente, refugiados vindos da Síria, Afeganistão, Irão e cerca de 49 000 vindos da Ucrânia com estatuto de proteção temporária.

O trabalho da ACNUR desenvolve-se em três fases. Depois da sinalização de emergência e de providenciar as necessidades básicas de abrigo, inicia a terceira fase, a “duradoura”, que consiste no repatriamento. Vê o seu trabalho dificultado pela dicotomia entre políticas de integração de refugiados e, outras de maior ou menor necessidade de controle de fronteiras.

Financiada maioritariamente pelos vários países, nomeadamente o Estados Unidos da América, a ACNUR precisa de diversificar a proveniência das suas receitas, nomeadamente através do financiamento privado, para que não fique refém de “um só doador”. E é neste sentido, também, que a ACNUR tem dependências em vários países, mesmo que estes não tenham grande expressão como países de origem de refugiados ou de acolhimento.