St. Paul`s School discutiu família e educação

“Famílias devem ter acesso a um ensino de qualidade e diferenciado”

O colégio bilíngue e privado de Coimbra promoveu mais uma conferência no âmbito do St. Paul`s Conferences, desta vez dedicada à Família, e à possibilidade de escolha do projeto educativo para os filhos. Neste debate estiveram Ana Cid Gonçalves e João Relvão Caetano.

Ana Cid Gonçalves, Secretária Geral da Associação Portuguesa de Famílias Numerosas, iniciou a conferência fazendo referência à falta de projetos educativos diferenciados, e à tendência para um ensino demasiado formatado.

Referindo-se ao St. Paul`s School, afirmou que “só com estes projetos é que podemos ter um apoio adequado às crianças, e esta é uma das escolas mais diferenciadas que já visitei”.

Relativamente à caracterização das famílias numerosas Ana Cid afirmou: “existe o preconceito errado de que as famílias numerosas, são muito pobres ou muito ricas, no entanto estas são completamente transversais e iguais às restantes em termos sócio económicos”. Famílias numerosas têm no mínimo 3 filhos e constituem 5% do total.

Criticou as políticas públicas que em Portugal penalizam as famílias com filhos.

Defendeu que “não podemos aceitar as políticas que privilegiam quem não tem filhos. Em termos fiscais, devemos olhar para o rendimento, da família, mas também o número de pessoas que sustenta, e ter políticas que tenham em conta a diferença.”

Relativamente à acusação de que existe alguma pressão sobre as mulheres para terem filhos, refere que “numa sociedade com uma dramática falta de crianças, o desequilíbrio poderá levar no futuro a uma postura crítica e agressiva.”

Ana Cid salientou que tem havido algum investimento realizado pelos Municípios, e alguns bons exemplos de boas práticas, no entanto ainda há muito a fazer, continuando as famílias com filhos a serem prejudicadas.

Seguiu-se a intervenção de João Carlos Relvão Caetano, Professor Universitário e Pro-Reitor para o Desenvolvimento Institucional e Assuntos Jurídicos da Universidade Aberta.

Começou por referir que “a sociedade devia indagar-se sobre o sentido da existência do St Paul’s School, projecto de imensa coragem, diferenciador e de muita qualidade”.

Relativamente ao ensino, em geral, João Caetano considera que “falta a capacidade para imaginar cenários novos”. A perspetiva de um ensino para elites, não deve ser encarado como sendo dirigido a uns poucos privilegiados. Elites exigem ensino “na perspetiva de “talento” e na dimensão de que todos com o seu potencial devem ter direito à escola e cada família deve poder escolher o projeto educativo.” Como essa perspetiva não existe agudiza-se a ideia de um ensino exclusivo com “separação entre quem pode e não pode, condenando os talentos“.

João Caetano terminou concluindo que numa sociedade em que “as Mulheres continuam a ser prejudicadas, pelo seu trabalho acumulando tarefas com a educação dos filhos, e em que vivemos muito dependentes do Estado, numa perspetiva de soberania, não pode haver justiça no acesso à educação.”